sábado, 14 de outubro de 2017

Exposição de Mateus 1.1-17



A GENEALOGIA DE JESUS
Mateus 1.1-17

Introdução
Apesar de hoje ser maçante para muitos de nós lermos os primeiros versos do livro de Mateus, para os Judeus do século I essa lista era bastante importante, pois a genealogia de uma pessoa podia servir amplamente para diversas funções: econômica, tribal, política, sucessão sacerdotal entre outras. Mateus também não faz uma sucessão física exata, alguns teólogos pontuam ainda que a linhagem que Mateus faz se dá pela sucessão do trono, a fim de afirmar a legitimidade messiânica de Jesus. É importante ressaltar que Mateus omite alguns nomes e incluí outros pouco prováveis com claros objetivos. Essa genealogia tem um objetivo principal, impactar!

1-      No verso 1 já temos três importantes afirmações.
1º Afirmação: Era comum que a primeira pessoa citada na genealogia levasse o nome do livro, no caso Abraão, porém aqui é citado que se trata do livro de Jesus Cristo, o que nos revela duas coisas:
Jesus era o mais importante, o ponto central de sua genealogia, sem ele outros tais como o “Pai Abraão” e o “Rei Davi” não teriam qualquer importância histórica.   Hoje para nós Cristo é encarado apenas como o sobrenome de Jesus, mas para os Judeus do século I com certeza essa afirmação carregava consigo todo o peso das promessas divinas, que embora fossem longamente adiadas não foi esquecido. Jesus era o cumprimento das promessas da aliança, agora com séculos de idade. “Da árvore de Davi, arrancada ate que restasse parte do tronco, brotava um ramo, um renovo” Is 11.1.
2º Afirmação: Jesus era filho de Abraão, aqui Mateus atesta a legitimidade histórica de Jesus, o qual era também um filho de Israel, alguns ramos do Judaísmo também compreendiam que “Filho de Abraão” era um título Messiânico.
3º Afirmação: Jesus era filho de Davi, aqui Mateus atesta a legitimidade real de Jesus, além dessa afirmação também carregar a ideia bastante popular no Judaísmo de que “Filho de Davi” se tratava da promessa messiânica.

1; 2-7 – O primeiro ponto que chama a atenção nesta seção é a presença pouco comum de quatro mulheres no relato genealógico de Jesus. Essas quatro mulheres tinham muitas peculiaridades; dentre elas: três delas eram gentias e Batseba provavelmente também era vista como gentia, pois era casada com Urias que era hitita. Três delas se envolveram em graves pecados sexuais.
 Tamar: Depois de ficar viúva de dois filhos de Judá, seu sogro teve medo de dar o terceiro filho em casamento, decidiu então enviar Tamar para casa com a promessa de dar seu filho mais novo em casamento quando este tivesse idade suficiente. Quando, porém Tamar descobriu que se tratava de uma farsa decidiu em seu coração que teria um filho do seu sogro. Disfarçou-se de prostituta, chamou a atenção do sogro e este se deitou com ela, sem descobrir sua identidade. Tamar exigiu que lhe desse um cabrito como pagamento; como garantia da dívida, ele deixou com ela seu cajado e seu cordão. Judá enviou o cabrito, mas os mensageiros não a localizaram; o assunto foi esquecido por um tempo, até ele ouvir falar que sua nora estava grávida. Mandou que ela fosse tirada para fora da cidade e queimada viva. Quando, porém, Tamar lhe mostrou seu cordão e seu cajado, Judá poupou sua vida, confessou seu próprio engano e reconhecer que ela era mais justa que ele. Tamar deu a luz a gêmeos, os quais chamaram de Perez e Zerá.
Raabe: A história de Raabe esta registrada no capitulo 2 de Josué. Raabe apesar de ser uma prostituta era uma mulher temente a Deus. Quando Josué envia os dois espias a Jericó eles se hospedam na casa de Raabe, quando o rei de Jericó soube da presença dos espias enviou uma mensagem a Raabe , pedindo que os entregasse. Ela, no entanto, escondeu os dois espias no telhado da casa e disse aos mensageiros que eles já tinham ido embora. Em troca de sua ajuda, Raabe pediu proteção para sua família e ela quando o Deus dos espias entregasse Jericó nas mãos dos israelitas.
Bate-Seba: Mulher do comandante de Davi, Urias, se envolveu em um relacionamento adúltero com o Rei Davi. Após Davi descobrir que Bate-Seba estava grávida tenta fazer com que Urias se deite com Bate-Seba, para que o adultério não seja descoberto. Tendo fracassado em seu plano envia então Urias para frente de batalha, no intuito de deixa-lo morrer.  Adultério e homicídio premeditado.
Rute: Apesar de Rute não se encaixar nesse contexto de pecado sexual a mesma era Moabita. Ló foi embriagado por suas duas filhas, as quais tiveram relação sexual com ele sem que ele soubesse, com o pretexto de dar sucessão a linhagem de Ló. Desse relacionamento incestuoso nasceram dois filhos, Moabe e Bem-Ami, dos quais descendem os Moabitas e os Amonitas.
Mateus arbitrariamente escolheu essas mulheres, pois poderia ter incluído o nome de grandes matriarcas como Sara, Rebeca e Lia. Mateus aqui não está apenas demonstrando dados genealógicos, antes pretende revelar algo das estranhas e inesperadas obras da Providência que estão em preparação para o Messias e as que apontam para a inesperada, mas providencial, concepção de Jesus por Maria. Nesse mesmo capítulo Mateus apresenta Jesus como àquele que “salvará o seu povo dos seus pecados” (1.21), e esse versículo pode sugerir um olhar em retrospectiva a alguns pecados bem conhecidos de seus próprios progenitores.

1-7; 10 – Essa seção apresenta um padrão pouco óbvio ao listar uma variedade de pessoas, como por exemplo:
Rei Asa: Era bisneto de Salomão, a bíblia fala que Asa agiu de modo reto diante de Deus, como seu antepassado Davi. Foi especialmente lembrado por remover os ídolos das terras bem como a expulsão dos prostitutos cultuais.
 Rei Josafá: Assim como seu pai Asa, Josafá agiu de modo reto diante de Deus, a bíblia relata que Deus andava com Josafá, “pois sua atitude foi aquela que de início seguira seu pai, e não se deixou seduzir pelo culto aos baalins. Antes buscou ao Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos, e não imitou as práticas pecaminosas do povo de Israel.”.
Rei Roboão: Roboão foi filho de Salomão, foi o primeiro Rei de Judá, depois da divisão do Reino. Jeroboão e toda a comunidade de Israel vieram pleitear junto a Roboão, pois Salomão havia imposto um jugo pesado ao povo e eles argumentavam que se Roboão aliviasse um pouco eles o serviriam de bom grado. Roboão então pediu o conselho dos anciãos, que lhe instruíram a ceder, para que obtivesse a compreensão e cooperação de todo o povo, porém Roboão decidiu ouvir seus amigos de infância, e fez o seguinte pronunciamento ao povo: “Meu dedo mínimo é mais grosso do que a cintura do meu pai, sendo assim, meu pai vos sobrecarregou com um jugo pesado, mas eu aumentarei ainda o vosso fardo; meu pai vos castigou com açoites, eu, todavia, vos açoitarei com chicotes com pontas de ferro, os escorpiões!”.
Rei Abias: Abias cometeu todos os pecados que seu pai Roboão tinha cometido antes dele, não foi íntegro para com o Senhor, seu Deus, como foi Davi seu antepassado.
 Bons ou ruins eles fazem parte da descendência do Messias, pois embora a graça não corra no sangue, a providência de Deus não pode ser ludibriada nem manobrada.
1.13-15: Os nomes da Abiúde a Jacó não são conhecidos hoje de outro modo. Mostrando que a linhagem de Jesus flui desde o pai Abraão e o grande Rei Davi, aos desconhecidos Abiúde e Matã.
1.16-17: Nesta seção nota-se uma mudança no rumo da genealogia, Mateus de forma sutil informa ao leitor que ao contrário dos seus antepassados Jesus não foi gerado, também afirma mais uma vez o caráter messiânico de Jesus.


CONCLUSÃO

Não devemos ter preconceito!
Desde Raabe até Abraão, todos são salvos apenas mediante a fé. Sendo assim não existe um tipo de pessoa que não mereça ouvir a palavra de Deus, todos nós estávamos mortos em nossas transgressões até termos um encontro com a vida, a saber, Jesus. Devemos pregar a tempo e a fora de tempo, esse é o dever de todo cristão. Ide! A nossa parte é anunciar as boas novas, a conversão cabe apenas ao Espírito!

Deus usa pessoas e circunstâncias boas e ruins para levar seus eleitos à salvação.
Assim como a genealogia passa por pessoas boas e ruins, Deus também usa tais pessoas e circunstâncias para forjar o cristão, amadurecendo a sua fé a fim de levar os seus eleitos a salvação. Não conseguimos compreender a maneira de Deus operar em muitas coisas, mas devemos ter sempre em mente que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.
Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz à paciência,·E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.
E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
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Todos somos importantes no Reino

Desde o que exerce cargo de liderança, ao que varre a igreja, todos temos a mesma importância no Reino, Deus chamou a cada um de nós, sem exceção, a um ministério específico. Se desempenharmos de maneira digna para Deus nossa vocação, não importa se é servir ou pregar, estaremos de fato agradando a Deus. A igreja de Jesus não é uma empresa, onde entramos varrendo a igreja, mas sonhamos com um dia alcançarmos o ápice da carreira cristã, o pastorado. Um planta, outro rega, mas Deus é quem dá o crescimento! Todos, sem exceção somos chamados a arregaçar as mangas e dar a vida em prol do Reino!